Aprendizagem, Produtividade

O melhor hábito a se desenvolver

Muitas pessoas me perguntam qual é o melhor hábito de vida a se desenvolver; se é fazer ginástica, meditar, se alimentar bem…

Eu costumo responder que é ler. Quem tem o costume de ler acaba desenvolvendo os outros bons hábitos. Continue lendo

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Aprendizagem, Coaching, Criatividade, Tomada de Decisão

Rapport consigo mesmo

RAPPORTVolta e meia nos perguntamos como facilitar os processos de transformação interna. No início parece fácil tomar decisões de vida e executá-las. Contudo, volta e meia, percebemos resistências internas que costumamos chamar de “autossabotagens”.

Apesar deste nome estar muito em voga, pessoalmente discordo de seu uso. Como as palavras e definições que usamos são as ferramentas mentais que nos capacitam ou nos limitam, elas possuem enorme poder sobre o quanto somos capazes de superar obstáculos. Porisso, prefiro intitulá-las de “quebras de confiança” internas – em nós próprios. Continue lendo

Aprendizagem, Coaching, Gestão

Os 20 maiores livros de autoajuda já escritos

Algumas pessoas, mesmo sem ler, tem uma postura crítica sobre qualquer livro que cheire a autoajuda. Eu, ao contrário, considero a literatura de autoajuda como uma excelente fonte de estudo – para mim, ler biografias, narrativas de viagens e histórias, mesmo romanceadas, só valem a pena porque retiramos delas idéias, conceitos e visões de mundo que nos enriquecem.

Ler nos faz crescer por dentro, multiplica as visões de mundo, reduz os preconceitos. Assim, a literatura de autoajuda é somente mais uma forma das pessoas condensarem o seu conhecimento, a pesquisa que fizeram, e publicarem a sua interpretação de uma forma agradável para seus leitores. Este tipo de livro é como um curso – é a interpretação de um determinado indivíduo do que é importante saber em um determinado campo do conhecimento ou em uma determinada linha de ação. Só que um livro é dezenas – as vezes centenas – de vezes mais barato do que um curso… Até me admiro de pessoas que fazem cursos de assuntos totalmente inovadores, sem ao menos terem lido um ou dois livros do assunto, para não desperdiçarem tempo demais apenas para se familiarizar com a terminologia da área.

Sim, há livros de autoajuda fracos – com bases científicas incorretas ou insuficientes. Mas também os há em muitas outras áreas – até em livros científicos oficiais. E os há aqueles que disseminam preconceitos ou idéias perigosas. Porém, assim como na leitura usual em outras áreas, o verdadeiro leitor aprende a filtrar as idéias que recebe, sem se vulnerabilizar demais ao autor. Aquele que lê e absorve completamente o que lê, sem raciocínio crítico – a esse devemos recomendar que leia menos? Não, ao contrário, devemos recomendar que leia mais, e exercite mais o seu pouco exercitado músculo do pensar…

Navegando no site Daring Adventure, deparei com uma ótima lista de livros de autoajuda (em inglês). Não os li a todos, mas faço como meta deste ano ler os vinte. São excelentes. Nem todos são considerados autoajuda e provavelmente alguns autores devem recusar tal título. Mas o que interessa é que a sua leitura abre a mente e nos ensina novos e melhores comportamentos. E isso não é a definição melhor para a autoajuda? No entanto, se não aceitar tal título fará que tenham um público melhor, não são autoajuda – são textos excelentes, com um bom equilíbrio entre a ciência e o bom-senso, e se possível, leia-os todos. E que eu saiba, todos tem versão em português.

http://www.adaringadventure.com/life-coaching/the-20-greatest-self-development-books-ever-written/

Aprendizagem, Coaching, Tomada de Decisão

Livro “O Poder do Hábito” – Charles Duhigg – Objetiva

OPoderdoHabitoA cura do hábito

Prólogo

Ela era a participante de estudo favorita dos cientistas.
Lisa Allen, de acordo com sua ficha, tinha 34 anos, começara a fumar e beber aos 16, e lutara com a obesidade durante a maior parte da vida. Chegou a um ponto, aos 20 e poucos anos, em que órgãos de cobrança começaram a persegui-la para recuperar mais de 10 mil dólares em dívidas. Um velho currículo listava que seu emprego mais longo durara menos de um ano.
A mulher que estava diante dos pesquisadores naquele dia, no entanto, era esbelta e vibrante, com as pernas tonificadas de uma corredora. Parecia uma década mais nova que as fotos em seu prontuário, e capaz de aguentar mais exercícios do que qualquer outra pessoa no recinto. Segundo o relatório mais recente em seu arquivo, Lisa não tinha dívidas, não bebia e estava em seu 39o mês numa empresa de design gráfico. Continue lendo

Aprendizagem, informações, Informatica

O futuro do livro está no blogue

Alguns aqui já sabem que estou deixando de comprar livros em papel e experimentando comprar apenas livros digitais. Por questões ecológicas e de praticidade, acredito que o livro em papel deverá mesmo ser substituido pelo livro digital, malgrado o fato de que sempre terá uma existência complementar, como artigo de presente e decoração.

No entanto, passei a usar vários aplicativos no tablet que lêem blogs e revistas, além de livros. E cada vez mais me convenço que as pessoas estâo se acostumando a ler textos menores, mais fragmentados.
Mais uma ou duas gerações e a leitura de grandes compêndios ao que parece não será mais habitual – textos de 30 a 60 paginas possivelmente oferecerão o conhecimento, de forma mais fragmentada, e os hiperlinks para consulta futura e os mecanismos de pesquisa, quando necessários, complementarão a informação.

As pessoas de minha geração deploram esta superficialização do conhecimento, mas a quantidade de dados hoje em dia já é tâo grande que considero isso irreversível. O conhecimento será ainda acessível (possivelmente ainda mais do que jamais foi) e a rapidez de obter algum dado crítico será bem suprido com o aprendizado da forma correta de se usar os softwares de pesquisa.

Contudo, o que quero ressaltar é que isso significa o ressurgimento dos blogues especializados. Hoje em dia, usando um aplicativo agregador de informação, leio um blogue da mesma forma como leria um livro, sendo cada post como um capítulo. Se o blogue o fizer, posso ter índice, glossário, tudo igual ao livro. E com a banda (mais ou menos) larga já suficientemente disponível, posso ter uma biblioteca praticamente infinita… A leitura em blogues é mais fácil, limpa e pesquisavel que em sistemas unificados de mídias sociais, pode ser aprimorada e atualizada com baixo custo e pode ser também replicada para leitura offline.

Quer escrever um livro – publique-o primeiro em capítulos em um blogue tal como o WordPress ou o Blogger. Em breve poderá monetizar a leitura dele, seja com anuncios, doações ou versões em PDF ou impressas, para os leitores éticos. É a melhor forma de se divulgar como escritor.

Aprendizagem, Coaching, Produtividade

Mudança de Hábitos: Técnica dos 21 dias

O que é a técnica dos 21 dias?

A “técnica dos 21 dias” não é uma teoria em si mesma, e sim uma prática derivada de conceitos da sabedoria antiga, já ensinados na Ìndia e outras culturas milenares. Um indivíduo, para modificar um comportamento, melhorar uma habilidade ou para modificar ou formar um hábito, necessita manter acesa a chama da motivação e persistir praticando por um período suficiente até que esteja consolidado e comece a aparecer espontâneamente, tanto no corpo quanto na mente.

Há várias formas de compreender o ser humano; já sabemos muito sobre a aprendizagem humana, pois foi investigada ao longo de séculos, seja pelos filósofos e professores quanto atualmente pelos pesquisadores do cérebro. Mudar um comportamento é, de certa forma, modificar a própria personalidade. A teoria cognitiva comportamental da Psicologia diz-nos que somos feitos de nossos comportamentos e hábitos, e estes reforçam a forma como nossas crenças e valores pessoais nos descrevem. O indivíduo deve aceitar uma nova forma de pensar sobre si mesmo para conseguir mudar um hábito – isto é, modificar suas crenças pessoais. E isto só se obtém quando se confere um forte significado para a mudança.

Os bons líderes, treinadores, professores e coaches sabem disso – é necessário motivar e estimular sempre, atrelar os novos hábitos a uma diferente forma de ver a si mesmo, celebrar ritualmente as melhorias e aceitar a mudança pequena, exercitando-a regularmente até a perfeição, até passar para um novo nível de dificuldade.

Estes conceitos foram corroborados pelas pesquisas modernas da Neurociência (vide, por exemplo, o livro “O Código do Talento” – http://www.proximus.com.br/news/content/mielinizacao_e_talento ), que mostram como o entusiasmo e motivação – proporcionada por uma execução de uma prática de mudança com plena atenção – modifica rápidamente o cérebro e facilita a aquisição de um hábito e o aprendizado profundos. E mostram também que tentar aprender “por osmose”, sem muito interesse e participação, praticamente não dá resultados.

Serve para a pessoa criar um hábito em todos os fatores da vida? Exemplo: Financeiro, comportamento, autoestima…

Sim, pode servir para qualquer tipo de mudança, pois todas as áreas onde temos interesse na melhoria possuem um componente cognitivo (uma forma de pensar) e um comportamento físico associado. Podemos estudar os comportamentos e pensamentos de pessoas excelentes em várias áreas, copiar e praticar os seus hábitos através deste tipo de prática, associando o princípio chamado de “modelagem” à esta determinada forma de prática de mudança.

No entanto há hábitos que estão enraizados muito profundamente na personalidade e outros que são um pouco mais superficiais. Um hábito como comer em excesso muitas vezes é uma dependência química que serve para regular a baixa serotonina (o neurotransmissor do bem-estar) e outras vezes é apenas um hábito alimentar que sobreviveu aos tempos de infância. Há que analisar quais hábitos podem ser modificados sem ajuda externa. Um hábito como dizer muito palavrão, por exemplo, pode ser apenas um condicionamento de muitos anos, e pode ser modificado com apenas alguma prática deste tipo de técnica.

Recomenda-se que se faça uma análise do quão compulsivo é o hábito destrutivo e o quão prazeiroso é a inclusão do novo hábito construtivo que se deseja implantar. A partir desta investigação pode-se decidir por modificar o hábito por si só ou optar por pedir a ajuda de um coach ou de um psicoterapeuta.

Além disso, vamos supor que uma pessoa quer modificar um hábito tal como o descontrole financeiro – na verdade este é um hábito complexo, que passa pela sua habilidade de resistir à própria frustração, pela sua compreensão de como projeta o seu futuro em termos de riscos e oportunidades e até como isso espelha na sua autoestima. Pode ser necessário, em alguns tipos de hábitos, subdividir a prática da mudança em diversos hábitos componentes, para ter uma melhor garantia de sucesso.

Existe alguma explicação pelo número 21?

Expliquei bem a razão do número 21 no meu texto em http://www.antonioazevedo.com.br/archives/510 mas em resumo podemos dizer que o uso da técnica dos 21 dias é uma forma ritualística de proporcionar significado à mudança, conferindo uma meta definida, uma data de início e de término específicas, e também mantendo em alta o entusiasmo e o interesse pela mudança. Dividir a prática da mudança em segmentos de três semanas (e mais uma de descanso) permite manter a motivação em alta, pelo estímulo permanente da novidade, e ao mesmo tempo entender e exercitar bem os comportamentos específicos que são parte do hábito desejado.

Poderia ser mais ou menos tempo? Alguns falam em 30 ou 40 dias e eu mesmo prefiro entender a prática como sendo de 28 dias, pois considero o período de descanso como parte da prática. Mas também são números experimentais, não uma obrigação rigorosa. Contudo há um fenômeno neuroquímico no cérebro que regula a nossa percepção do que é uma novidade. As novidades estimulam a nossa amígdala cerebral e o sistema reticular, partes do cérebro responsáveis pela alerta, pelo aprendizado profundo e pela atenção. Se persistirmos em fazer a mesma coisa por muito tempo, nosso cérebro se acostuma e não investe mais em criar circuitos de sinapses cerebrais para prestar atenção nela… Isto é, entramos em “modo zumbi” e paramos de aprender. E se fizermos por pouco tempo, não teremos suficientes benefícios de consolidação das mudanças neurológicas que servem de base para a mudança e implantação do novo hábito.

O período de 21 dias é considerado adequado pelos que praticaram a técnica – mas ressaltando que alguns hábitos mais complexos vão necessitar da repetição espaçada e incremental por alguns ciclos de aprendizado-habituação, até se chegar a uma condição excelente.

Quais são as dicas para quem deseja incorporar a teoria na sua vida e criar um hábito?
A primeira é escolher modificar um hábito de cada vez. Usar esta técnica requer também alguma prática, e iniciar com muitas mudanças ao mesmo tempo pode ser exaustivo.

A segunda recomendação é listar – de preferência no papel – com bastante detalhamento, a forma exata como pretende Pensar, Sentir e Agir com o novo hábito presente na sua vida. Este roteiro servirá de base para a mudança e deve ser consultado várias vezes, para se ter a certeza de que não se está sendo displicente na prática.

Explicando melhor, todo e qualquer comportamento é parte de uma tríade composta de Pensar, Sentir e Agir. A maior parte das pessoas só executa algo novo (Agir), quando define bem os pensamentos a respeito desta linha de ação (Pensar) até começar a perceber impulsos espontâneos de fazer algo a respeito (Sentir). Isto elas chamam de “forma natural de ser”. Contudo, este é o caminho mais longo, pois pode demorar muito até que o pensamento esteja maduro para uma mudança drástica. E mudanças feitas sem muito comprometimento, como já vimos, não são eficazes.

Pensar —-> Sentir —- > Agir

O segredo desta prática é que podemos modificar qualquer parte desta equação para provocar mudanças: podemos, por exemplo, ensaiar as mudanças como se já estivesse no nível ótimo (Agir) até que comecemos a entender melhor como se processam (Pensar) e, a partir dali, nos sentimos mais confortáveis com esta linha de comportamento (Sentir).

Agir —-> Pensar —–> Sentir

E podemos, também, ensaiar estratégias prontas de pensamento e repeti-las (Pensar) e ao mesmo tempo, ensaiar de maneira simulada as ações de sucesso envolvidas no processo (Agir) até que se tornem familiares e comecem a ocorrer espontâneamente (Sentir). Este procedimento é mais forçado, de início – alguns poderão até chamá-lo de “artificial”, mas, à medida que é praticado com pleno entusiasmo, se torna natural por sí só. E devido à concentração e a motivação associada, costuma ser bem mais eficaz em fazer mudanças definitivas.

Pensar —-> Agir —–> Sentir

E a terceira dica é criar um ritual de mudança (tal como expliquei no meu exercício da Lua Cheia, no link acima), onde exercitamos o hábito e sua ligação com o passado, o presente e o futuro, através da familiaridade, foco e interesse.

– A familiaridade é dada quando quando conectamos o hábito a algo de que já dispomos (passado – o ponto de início).
Exemplo: observamos que o novo hábito é parecido com coisas que já fazemos bem em outras áreas, e por isso é só uma expansão de nosso sucesso e competência de outra área para esta nova área – somos organizados para cuidar de nossas finanças, assim, sermos organizados para cuidar de nossa alimentação é mais fácil do que parece;

– O foco é dado com a plena atenção à experiência atual (presente – exercício no máximo do envolvimento).
Exemplo: quando exercitamos a prática de mudança, fazemos de conta que já somos plenamente a pessoa com aquele comportamento – eu já sei exatamente o quanto e onde “guardo” os alimentos que desejo nas “gavetas” do meu corpo, não estocando em excesso mas também não ficando em falta;

– O interesse é estimulado quando se associa a prática aos benefícios que serão obtidos (futuro – mudança de comportamento e de identidade pessoal).
Exemplo: há compreensão do resultado final, e mesmo com consciência de que ainda não foi totalmente atingido, esta percepção é positiva e gratificante, e não desmotivante – eu me vejo em uma situação no futuro sei que cada ação que faço hoje me aproxima do meu peso ideal e sei que é isto que eu quero para minha vida.

Observação: esta apresentação foi uma das fontes de jornalistas, que culminou no artigo na página abaixo. Nesta ensinam que esta técnica foi desenvolvida pelo criador da Psicocibernética, o médico Maxwell Maltz. Não tenho a certeza absoluta se foi criada por ele; minhas pesquisas remontam esta técnica em origens mais antigas.
http://mdemulher.abril.com.br/bem-estar/reportagem/auto-ajuda/21-dias-mudar-sua-vida-682301.shtml

Aprendizagem, PNL

Pergunta: PhotoReading e Sculpt Reading

Recentemente ouvi falar de um método de aprendizagem acelerada utilizada na leitura, ou seja, a FotoLeitura. Comprei o livro do criador da técnica Paul R. Scheele. Estou Fotolendo alguns livros. No entanto ainda não tenho controle sobre as informações fotolidas, elas apenas acontecem (mesmo com a “ativação”). Visitei o amazon.com para ler as opiniões dos compradores, a maioria não parece satisfeita. Entretanto como o autor cita que leva algum tempo para ‘aprender’ a fotoler, pensei que seria interessante perguntar a alguém com mais experiência sobre o assunto. Se for possível que você dê a sua opinião sobre a técnica, ficarei imensamente grato.Resposta

Eu já li, muito tempo atrás, o livro de fotoleitura. E não me convenceu muito a técnica, por isso não a experimentei. Só posso falar a partir de depoimentos de terceiros.

Acho que há muito poucos fotoleitores por aí, para termos um testemunho de confiança… Verifiquei no Yahoo Groups Internacional e no Nacional para saber se há um grupo de Photoread ou de fotoleitura.

O melhor dentre eles parece ser o http://www.learningstrategies.com/forum.html
. Se consegue se virar em inglês, talvez valha a pena dar uma olhadinha nele.

De qualquer maneira, é necessário uma certa prática de auto-hipnose para ficar bom em resgatar as informações absorvidas por fotoleitura. Na minha opinião o processo requer abertura profunda do inconsciente, para podermos ter acesso à memória fotográfica.

Uma boa parte do que é ensinado lá também é ensinado em cursos de Aprendizagem Acelerada – a preparação para a leitura, a leitura em vários níveis, a busca de palavras chaves… No entanto, a parte de “fotoler” específicamente falando, na maior parte das vezes ouvi relatos de frustração. Várias pessoas a experimentam e não ficam satisfeitos com os resultados. Persistem por algum tempo e depois desistem.

Então, atualmente só posso interpretar – lembre-se, a partir de relatos de terceiros, eu mesmo não experimentei – que a técnica não entrega o que promete. Talvez seja possível, em algumas situações, mas não como regra geral.

Mas sobre este assunto eu tenho outras considerações. Uma vez fiz um curso de Aprendizagem Acelerada com Maurício Aguiar, um colega meu da formação de Master Practitioner em PNL. Uma frase que ele falou ficou ecoando em minha mente: “Não leia livros. Absorva conceitos. Não mensure livros pelo número de páginas. Mensure pela fertilização de suas idéias”.

E muito tempo atrás eu li, na introdução do livro “O Meio é a Mensagem”, de Marshal MacLuhan, que os editores de livros costumam publicar um livro se este tem pelo menos 10% de informação nova entre 90% de “cozinha” de informações retiradas de outros livros. Isto significa que, em média, estamos lendo e relendo cinco a nove vezes a mesma informação, se lemos dez livros sobre o mesmo assunto…

Isso pode parecer ruim, mas tem seu lado bom. A PNL nos diz que na maior parte das vezes precisamos repisar um fato umas seis vezes para o colocarmos em nossa memória de longo prazo, de onde dificilmente será esquecido. Se lemos dez livros de um assunto, a probabilidade de estarmos realmente detentores dos dados adequados sobre o assunto é muito grande. Contudo, também significa que boa parte da leitura é desperdiçada.

E por isso sugiro a você que não se preocupe tanto em “ler rápido” e sim em “ler bem”. Eu de minha parte prefiro trabalhar, ao invés de “photoreading”, com “sculpt reading”. Ler bem pode ser até mais lento, pois é uma leitura reflexiva.

Eu leio muito – ocupo bastante do meu tempo com leitura – mas atualmente leio com o computador do lado, construindo mapas mentais e quadros sinópticos (sistemas de palavras-chaves) e fazendo anotações do que entendo e crio a partir do que leio. Assim, pode ser que até eu demore mais para ler um texto. Mas é uma leitura ativa e produtiva e não algo passivo.

Se você não sabe como fazer mapas mentais, visite o excelente site http://www.mapasmentais.com.br, do Virgílio Vilela. E estude os tutoriais. Há uma apostila ótima que pode ser baixada de graça, no site.

Leio bem mais devagar, é certo, e tenho livros não-lidos e semi-lidos em profusão, mas o que eu leio é meu, faz parte de meus conceitos de vida, está bem digerido e assimilado. Se estudarmos um livro procurando, classificando e fazendo mapas mentais de tudo o que é novo e faz sentido, o próximo poderemos ler ainda mais rápido, e cada vez mais rápido… E sem a técnica de fotoleitura.

E o principal: não precisaremos de reler todo o livro, se for necessário uma segunda vista. Nossas fichas de mapas mentais e nossa estruturação de idéias servirão como uma perfeita sinopse, facilitando que encontremos os 10% criativos que só estão naquele livro.

Suponho que esta técnica seja dez vezes mais lenta do que a fotoleitura para ler um livro pela primeira vez e cerca de três vezes mais lenta do que a leitura normal.

Mas, no entanto, para ficarmos realmente com o entendimento de um livro-texto (não me refiro a um romance, fique bem entendido) costuma ser necessário que nós o releiamos umas cinco vezes. E a fotoleitura seria mais rápido, mas quanto tempo precisamos até termos a confiança nela?

Posso estar errado, mas por enquanto prefiro ser um “sculpt reader”. Pois a leitura é um processo de “garimpagem” de idéias. E toda boa idéia exige um tempo de “ruminação”, de comparação inconsciente com outras percepções, valores e crenças que já fazem parte de nosso mundo mental.

Feito isso, vamos ao que faço. Vou descrever minha técnica com rigor. Esta técnica é adaptada dos princípios da Aprendizagem Acelerada, um curso que fiz em 1994 com Maurício Aguiar (que também publicou um livro sobre este assunto, junto com o professor Rousseau, um conhecido consultor de treinamento empresarial). Eu já usava técnicas similares antes, aprendidas em livros, mas o curso apurou meu sistema.

Começo dando uma boa olhada no livro, na orelha, na sinopse da contra-capa, no índice e leio cuidadosamente os nomes dos capítulos. Já observei que 90% dos leitores têm preguiça de fazer isso, ou o fazem descuidadamente, e começam a ler o livro para ver se este o “captura”. Isto é, ao meu ver, uma forma passiva de ler, pois o transforma em refém do livro… Se este for construido para instigá-lo emocionalmente, a gente o lê de uma assentada. Se for mais cerebral, mais frio, a gente pode até parar para ler depois e, por alguma razão, é “capturado” por outro livro.

Eu me pergunto também qual é o propósito que tenho ao ler este livro. Se é um propósito meramente informativo, se viso enriquecer uma idéia que já tenho ou se estou motivado a acrescentar uma nova compreensão de vida, um novo ponto de vista. Isto é, se estou preparado para ser confrontado, para a mudança. Pode parecer bobagem fazer isso, mas considero extremamente importante, pois nos prepara para sermos senhores do livro, não seus servos.

A partir disto eu posso começar a fazer uma leitura pró-ativa do livro. Eu é que escolho o que quero ler, em que quero me aprofundar e o que quero reter como recordação e aceitar como ponto de vista. Me permito discordar, desta maneira, dos autores, e fazer o meu próprio processo de leitura, seja na diagonal, do início para o final ou do final para o início.

Maurício Aguiar diz que devemos mudar até a forma como falamos a respeito de um livro-texto. Não devemos dizer que nós “já lemos” o livro. Devemos dizer que nós “já processamos” o livro. E que, muitas vezes, ele pode estar “em processo” por anos, enquanto “cozinhamos” vários livros ao mesmo tempo.

Começo procurando as idéias-chave. Folheio o livro em primeiro lugar, em uma espécie de “sobrevôo”. Identifico as passagens mais interessantes, leio algumas anedotas e histórias, observo os diagramas e quadros sinópticos.

Findo isto, eu começo a ler o livro, com um bloquinho ou o computador ao lado. Começo a anotar as palavras-chaves do livro e, de forma bem sintética, a minha opinião sobre algum conceito, demarcando com um colchete ou balão e encimando com a palavra “eu”. Isto para mostrar que eu tenho um ponto de vista diferente.

Antigamente eu marcava o livro com um lápis (jamais com caneta ou marca-texto, é um desrespeito com o livro). Hoje considero que esta forma é desorganizada demais, pois nos obriga a catar o livro inteiro por trechos grifados. E, quando grifamos desta maneira, não prestamos tanta atenção no que estamos pensando e, depois, o esquecemos.

Quando transcrevemos o texto de forma sintética, buscando transformar em uma ou duas palavras-chaves, o esforço neural é muito maior, e assim o conceito fica melhor marcado no cérebro.

Feito isto em uma estrutura lógica do livro – que às vezes pode ser um capítulo, às vezes pode ser uma estrutura dividida em dois ou três capítulos – eu paro, volto ao meu bloco ou arquivo texto no computador e busco criar um mapa mental daquela estrutura – mas não me preocupo em englobar todo o livro, e sim apenas a idéia que eu entendi, a que fixei, que é a minha forma de ver e compreender.

Isto é, faço um mapa mental de *minhas* idéias sobre o livro, não do livro. Não vou descrever detalhes de como fazer um mapa mental. Veja no site do Virgílio.

Completada esta etapa, das duas uma: se eu *sinto* que minha opinião parece bem diferente do livro, releio os capítulos para identificar os pontos de discordância e verificar qualquer falha de compreensão minha. Mas, na maioria das vezes, eu prefiro seguir adiante, pois, talvez, em uma parte posterior, o autor poderá se repetir de outra maneira e assim enriquecer a sua idéia. Mas aí eu já terei uma forma de pensar, pela qual avaliar o que li.

Detalhe: não faço quadros sinópticos e mapas mentais de todo e qualquer detalhezinho do livro. E não recomendo fazer os mapas mentais detalhados, enquanto se lê. Ao contrário, prefiro e recomendo que se leia o livro de uma forma global, definindo em forma de rascunho rápido mapas mentais e quadros sinópticos apenas daquilo que é interessante ou se discorda, e portanto se deseja esclarecer as idéias, através de um mapa mental.

No final, o livro “processado”, posso (ou não) parar e fazer um mapa mental do livro todo. Contudo, nem todo livro é recomendável ou possível de se fazer isso, pois os livros não são tão bem estruturados assim. É melhor fazer mapas mentais apenas das partes interessantes, mantendo uma ligação fraca entre os mapas, pela referência de assunto. O tempo perdido em confeccionar o mapa mental completo e perfeito é desgastante demais. No geral, não paro para fazer o mapa mental do livro integral, me contento em mapear idéias coesas.

Isto é, prefiro ler com cuidado, refletindo bem no que estou lendo, fazendo mapas mentais e tecendo elucubrações sobre o que leio… Paro toda hora e converso mentalmente comigo, fazendo diagramas em um papel à parte sobre minhas idéias, descobrindo se eu concordo ou não, se entendo ou não o que está proposto no livro. Me imagino (visualizo) explicando isso para alguém. Ficaria com dúvidas? Verifico. Só vou adiante quando estou satisfeito com as minhas idéias próprias sobre o livro, não sobre as idéias do livro. Se estou cansado, paro, pego outro livro, não me preocupo em ler de fio a pavio.

Se é um livro de ficção, puro lazer, óbviamente não sigo estes passos de forma tão rigorosa. Em alguns livros este processo todo pode demorar três, quatro dias. Em outros pode demorar meses. Ou anos. E daí? Isso não importa. Não vivo de citar livros, e sim de manifestar idéias, em minha vida e em minha interação com meus parentes, amigos, conhecidos e clientes. Algumas destas leituras frutificam em artigos, outras em idéias próprias. Não é isso o que se quer? O pensar é a consequência da leitura, não o acúmulo desta.

Agora, um adendo: se uma pessoa está estudando para um concurso, ou vestibular, ela quer enfocar mais a memória. Talvez ela precise fazer mapas mentais mais detalhados e coesos. Mas é um caso específico. E, mesmo assim, os concursos e vestibulares hoje em dia estão privilegiando mais a compreensão e as idéias próprias do estudante, não tanto o “decoreba” puro.

Esperar aprender rápido é uma distorção dos tempos modernos – todos preferem livros condensados, extratos etc. Então, porque a maioria das pessoas não conseguem aprender uma nova língua apenas lendo dicionários? É necessária uma exposição gradual a idéias, para que formemos nossos pontos de vista. E quem quer ler rápido também absorve sem análise crítica o que está sendo lido – pode acabar acreditando em qualquer coisa.

Experimente uma vez pesquisar na revista Seleções se existe um livro condensado que você queira ler. Mas não leia ainda o texto condensado. Leia o livro original e depois leia o condensado. E faça uma comparação do que sente, a partir dos dois. Faça a experiência ao contrário, também: ler o condensado primeiro e depois o em formato normal. Se a qualidade do texto for boa e o autor não for daqueles que “enche linguiça”, perceberá que, mesmo por melhor que seja a condensação, perderá muito do impacto emocional do texto completo.

E hoje em dia o jovem prefere ver um filme ou um documentário, ao invés de ler um livro. Não nego o poder das imagens, e a beleza de um bom filme ou documentário, e retiro muitas idéias criativas do que vejo neles. Recomendo, especialmente, os documentários sobre o mundo natural, no estilo do National Geographic. Aprende-se muita coisa interessante sobre o comportamento, que podemos tirar ilações para o mundo dos homens… No entanto, as idéias em um filme já estão prontas, e direcionadas. É bem mais difícil sair da trilha das idéias apresentadas na forma de imagens, e gerar idéias novas. E, afinal, nós queremos apenas aprender as idéias dos outros ou aprender a gerar nossas próprias idéias?