Coaching

Progressão de Memória – uma viagem ao futuro

Viagens no tempo. Ver o próprio futuro. Escolher o seu destino, controlar a sua vida. Temas muito interessantes, talvez os mais importantes para o ser humano. E, por isso mesmo, se prestam a um bom ou mau uso. Conhecer o futuro é tema de cartomantes, videntes, pitonisas, astrólogos, tarólogos e os mais variados tipos de métodos divinatórios. Muitos pagam qualquer quantia para saberem o que o futuro lhes aguarda, buscando um pouco de segurança contra a imprecisão do dia a dia.
Mas existe alguma realidade por trás de tudo isso? Muitos estudiosos da mente humana supõem que nela mesma existam ferramentas para se conhecer o futuro. E pesquisam técnicas que, despidas do excesso de misticismo, permitam ao homem alcançar de maneira mais fácil as suas metas de vida. É possível que as técnicas da moderna hipnoterapia facilitem a utilização de recursos específicos da consciência para se projetar ao futuro – seja o que for que seja isto…
Mas, afinal, o que é mesmo o futuro? O futuro, dizem os cientistas enfronhados nos mistérios da Física Quântica, nos mais avançados bastiões da ciência moderna, é uma nuvem de probabilidades. Talvez seja melhor descrito pelos termos científicos “horizonte de eventos”. E o que é horizonte de eventos? Imagine você caminhando por uma estrada. Este local onde você está caminhando eqüivale ao seu momento presente. Em termos científicos, é um “evento no espaço-tempo”. Agora, olhe para trás. Imagine que atrás de você há milhares, milhões de estradas, de caminhos, que desembocam onde está. Você poderia ter vindo de qualquer um destes caminhos para chegar a um determinado local presente. Mas você sabe que veio por apenas um destes caminhos.
Situação Passada – – – – – – – – – – – -> Situação Futura
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\- – – – – – – – – – – -/ >
(vários caminhos possíveis)
Agora, olhe para sua frente. Imagine que à sua frente também existem milhares, milhões de bifurcações, inúmeros caminhos, ou melhor, inúmeras escolhas que levarão em direção a inúmeros futuros alternativos. Você em breve continuará o seu caminho e escolherá uma das estradas que saem desta encruzilhada em que está.
Neste momento, você está no vértice central de uma figura que lembra uma ampulheta deitada ou dois cones, um de frente para o outro, exatamente no ponto de “nó” ou nodo, em linguagem científica.

Passado Presente Futuro
—————— * ——————

Para completar esta idéia, imagine que cada momento presente seja um nodo de um determinado horizonte de eventos diferente. O tempo seria então o caminho real que você faz ao longo de sua vida, ou melhor, as escolhas que você faz ao longo de sua vida, optando por uma trilha ou por outra.
A melhor metáfora para o Tempo não seria então uma trilha linear, e sim uma rede entretecida de forças, cada um de seus pontos ou nodos sendo uma escolha de um ser vivo. Todos os nodos que são possíveis de serem alcançados a partir do presente formam o seu horizonte de eventos pessoal, ou cone de eventos pessoal. A soma de cada escolha produz o futuro manifestado ou presentificado, atualizado, o ponto de vértice do cone de eventos de sua vida.
A Física Quântica encara o Universo como uma matriz de várias dimensões. No trabalho da Progressão de Memória, consideramos importante apenas citar a dimensão temporal ou vibratória, a dimensão espacial ou perceptiva, a dimensão consciencial ou intencional (que evidencia a escolha e o significado que as consciências emprestam ao mundo) e a dimensão espiritual (que representa a unidade básica das outras dimensões). Os relacionamentos entre estas quatro macro-dimensões é que nós consideramos as dimensões específicas da realidade (comprimento, largura, altura, passado, presente, futuro, simbolismo, causa, efeito, processo).
Joan Grant, escritora americana, escreve uma bela analogia sobre a noção de tempo:
O passado é fixo, aquilo que aconteceu não pode ser mudado. Porém toda ação muda um futuro, que é fluido e pode ser modificado, num passado que é estável. Seu próximo dia ou a próxima vida que você tiver, será como sua imagem refletida num tanque. A qualquer momento você poderá checar como é o tanque de seu futuro, mas pelo livre arbítrio você provocará terríveis tempestades sobre ele ou ondas em sua tranqüila superfície. É por isso que tão poucas previsões se confirmam.
Olhe para o jardineiro com seu regador. Posso predizer que ele vai atravessar o quintal sem derramar nada, pois esse é o futuro que seus atos presentes estão fazendo. Mas se ele tropeçar ou jogar por sua própria vontade o regador, então seu futuro presente terá mudado, pois com seu ato ele ocasionará um efeito diferente, e assim minha previsão não será confirmada. Mas essa é uma imagem que somente algumas pessoas têm permissão para ver, pois se poderia então influenciar os atos de alguém.
NEUROMANCER
O escritor Gibson escreveu um livro com este título, que simbolizava o uso dos recursos neurológicos para prever tendências futuras. A progressão é uma técnica hipnótica que, à semelhança dos personagens deste livro, pratica, de certa maneira, uma espécie de “neuromancia”.
O seu objetivo é usar os recursos do próprio cérebro para se permitir conhecer as escolhas – conscientes e inconscientes – que se está tomando, isto é, a forma de se forjar a própria realidade futura. Em estado levemente hipnótico, imagens dos futuros prováveis se formam na mente do cliente, e este irá selecionando e modelando os seus comportamentos e escolhas que o dirigem para o seu melhor futuro. Neste sentido, as técnicas da Programação Neurolingüística são muito utilizadas.
A PNL – Programação Neurolingüística, é uma variante de um ferramental que mistura hipnose moderna (também conhecida como Hipnose Ericksoniana), conceitos de Cibernética e Teoria da Informação, Psicoterapia Cognitiva-Comportamental, Gestalterapia e conhecimentos de Neurologia, visando facilitar a reorganização da personalidade humana e suas expressões (habilidades, crenças, valores, capacidades potenciais e comportamentos manifestos).
Quando se fala em hipnose, é sempre conveniente desmistificar o que é isso: hipnose não é domínio mental, não é fenômeno energético, telepático ou mediúnico, não é ligada a nada paranormal e nem só se aplica a casos patológicos. Hipnose, ao contrário, é um fenômeno muito comum de concentração, de focalização da consciência, que ocorre para todas as pessoas em muitos momentos, tais quando ela se concentra ao ver um filme e esquece das horas, ou quando se apaixona e só tem pensamentos para a pessoa amada…
O que é importante ressaltar aqui é que hipnose é um fenômeno psicológico que facilita e estimula a aprendizagem. Uma pessoa pode aprender instantaneamente uma habilidade ou comportamento novo, em estado hipnótico. Um hábito positivo pode ser aprendido, ou um hábito negativo pode ser retirado.
Através de hipnose as pessoas podem se lembrar detalhadamente de coisas que aconteceram ha um dia atrás ou a 60 anos. A regressão pode ser experimentada logo na primeira sessão, mas muitas vezes a primeira sessão resume-se à análise dos objetivos de vida do interessado e avaliação de sua receptividade aos vários métodos de transe. Alguns objetam a capacidade da pessoa hipnotizada realmente lembrar-se tão perfeitamente, alegando que o hipnotizado pode lembrar até de coisas que nunca aconteceram, podendo memórias serem inseridas. Isso é possível, contudo a memória “recriada” pode sempre ser separada da memória real. No fundo, toda memória sempre é reinterpretação, no presente, de instâncias passadas. E assim sofre modificações da coloração emocional e das interpretações cognitivas
posteriores.
Outros objetam que o indivíduo “hipnotizado” tem a intenção muito clara, que é agradar ao hipnotizador. Esta alegação é uma interpretação psicanalítica do fenômeno da hipnose, considerando-a apenas um fenômeno de transferência. Não é verdade que isto ocorra desta maneira, isto é, que a hipnose pode ser restrita apenas a um fenômeno de transferência. As mais recentes pesquisas sobre hipnose, notadamente as realizadas por Milton Erickson, (psiquiatra americano morto em 1980, pai da nova Hipnose Ericksoniana) e seus discípulos, mostra a hipnose sob uma abordagem mais ampla. O hipnotizado pode discordar do hipnólogo, buscar principalmente os seus objetivos próprios e até prescindir do auxílio do hipnólogo, usando-o apenas como catalisador de um estado intensificado de consciência, não necessitando dele para “atestar” a veracidade de sua experiência ou como apoio emocional.
Ainda existe a objeção de que Freud, inventor da Psicanálise, abandonou a hipnose por considerá-la ineficaz para o tratamento psicoterapêutico. Mas os hipnólogos modernos possuem muito mais ferramentas para indução de estados alterados de consciência do que Freud sabia utilizar no seu tempo. Freud era, se me permite dizer, um péssimo hipnólogo… Ele utilizava apenas duas técnicas, hoje praticamente obsoletas, que poderíamos citar: uma variação do braidismo, isto é fixação ocular do paciente em um objeto brilhante e uma técnica verbal, de indução com sugestão direta de sono.
Estas duas técnicas tem suas limitações. Sabemos hoje que as técnicas hipnoterapêuticas devem se adaptar mais especificamente aos tipos de personalidade. A hipnose moderna evolui para técnicas menos diretivas, usando sugestões “embutidas” na linguagem comum, metáforas em vários níveis, “sobrecargas sensoriais” e outras técnicas de indução de transe, de modo a se adaptar aos vários tipos de pessoas.
HISTÓRICO DA PROGRESSÃO
Albert de Rochas, que foi o primeiro a alcançar vidas passadas por meio da regressão, descobriu mais ou menos por acaso a progressão. Ele punha o remigrante sentado na sua frente, dava passes magnéticos com a mão esquerda, indo da cabeça para baixo, enquanto mantinha a mão direita sobre a testa. Isso causava um transe e, com silêncio ou sugestões orais, um retorno no tempo, uma regressão de idade.
Para trazer o remigrante de volta ao presente, Rochas dava passes magnéticos transversais, enquanto movia ambas as mãos horizontalmente, do meio para os lados do corpo. Se ele continuava com isso por muito tempo, as pessoas iam parar no futuro.
Eugénie, um sujeito de Rochas, foi a primeira a ser levada à progressão. Ela avançou dois anos no futuro e mostrou sinais de gravidez, e logo em seguida de afogamento. Rochas rapidamente levou-a dois anos para a frente, e novamente ela estava grávida. Quando perguntada onde estava, respondeu: “sobre as águas”. rochas pensou que ela estivesse “viajando” e trouxe-a de volta.
Dois anos mais tarde ela teve um filho de seu amante, e logo em seguida atirou-se desesperadamente no Yser. Contudo, foi salva a tempo. em janeiro de 1909 teve um segundo filho sobre a ponte do Yser, onde de repente entrou em trabalho de parto.
Na Alemanha, nos anos 50, Franz Turni hipnotizou pessoas como parte de um experimento com repórteres. Em transe profundo, deixou-as prever o que fariam nos próximos dias. Estas previsões mostraram-se corretas, mesmo quando improváveis ou inesperadas. Este procedimento só é válido quando os sujeitos se esquecem do que aconteceu durante a hipnose.
VIAGENS AO FUTURO DISTANTE
Em experiências hipnóticas de viagens ao futuro distante, após o período de morte física, as pessoas percebem muitas vezes condições vagas, indefiníveis e raramente físicas. De acordo com os reencarnacionistas, nossas últimas encarnações aos poucos irão se transformando num estado desencarnado permanente.
Pieter Barten, um terapeuta holandês, fez algumas progressões até o ano 4040, mas adverte para a grande incerteza em datar-se imagens futuras. Dion Dolphin, terapeuta americana, pediu a muitas pessoas que fossem ao século XXI e vissem como estavam indo as coisas. Concluiu que as pessoas podem ver seu futuro tão facilmente quanto seu passado, e que as imagens do futuro correspondem umas as outras. Essa é a imagem do futuro que foi evidenciada:
As pessoas aprenderão a parar de lutar. Não existirá dinheiro como o conhecemos atualmente. Não haverá mais nações separadas, embora ainda haja um grande número de culturas separadas. a maioria das cidades serão muito menores. As pessoas movem-se me microônibus anfíbios, talvez pelo ar. Grupos de adultos e crianças viajam pelo planeta e ficam por um tempo em culturas específicas para aprender com elas. Quando esses grupos param de viajar por um tempo, pousam numa fazenda e tomam conta dela, enquanto os que cuidavam até então poderão viajar. Haverá viagens espaciais em transportes para cidades espaciais, mas o mais importante continua sendo que cultivar a terra, os jardins e restaurar a Terra para o seu propósito original. Pode haver épocas difíceis por volta do fim do século XX, mas
imediatamente depois principia uma era dourada de amor, paz, alegria e harmonia. Podemos supor que este seja um dos futuros hipotéticos da Terra, um dos melhores possíveis. Mas é um século XXI influenciado pelas expectativas das pessoas que fizeram o exercício, participantes de movimentos da Nova Era, provavelmente da Califórnia. O quadro diz mais sobre os valores e conceitos das pessoas que exatamente sobre o próximo século…
Em suma, impressões do futuro parecem possíveis, mas são normalmente baseadas em uma extrapolação do passado, considerando as tendências das pessoas, resoluções e planos. Mais do que uma observação real do futuro de uma casa, essas impressões são como aquelas de um arquiteto que sabe como deverá ficar a construção da mesma. Provavelmente o futuro está somente fixado na medida que o passado o determina e nossos planos o designam. Ao lado dos planos individuais de vida, há um plano global para o desenvolvimento humano.
Embora os estados especiais de consciência gerem informações valiosas, e nos dêem confiança no aparentemente ilimitado potencial humano, permanece um campo que não é familiar. As experiências do subconsciente humano nos ensinam que é preciso instruí-lo tão cuidadosamente quanto um computador, do contrário obstáculos não desejados podem ocorrer.
Experiências tipo ficção científica ocorrem com freqüência em progressões, e não podem ser simplesmente descartadas como imaginação. Contudo, ocorrem mais freqüentemente em transes leves via visualização, e muito raramente em transes profundos, via hipnose. Provavelmente muitas pessoas misturam impressões mentais do futuro com suas próprias expectativas e ansiedades pessoais. É mais seguro tratar o futuro pessoal, que fornece mais dados práticos.
Em suma, a Progressão de Memória é uma ferramenta útil, se usada com seriedade, não com finalidades apenas terapêuticas, mas como uma forma de permitir que o indivíduo reflita sobre sua vida, suas escolhas pessoais e suas Metas de Vida. Mais do que assistir passivamente a um futuro pré-determinado, a Progressão de Memória acena com a possibilidade de se escolher um futuro, moldá-lo, percebendo que a cada passo se escolhe uma bifurcação no caminho.

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