Coaching

Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC)

albertellisMe perguntaram em qual tipo de psicoterapia acredito. Eu disse que a que mais respeito é a TREC (Terapia Racional-Emotiva-Comportamental).

Para esta terapia, as percepções egocentradas são o principal fator do sofrimento mental e a principal causa da violência e intolerância.

A TREC mostra como resvalamos nas confusões emocionais-cognitivas que criam distorções em três áreas:
– como eu quero ou aspiro ser;
– como as outras pessoas devem ser e se comportar e;
– como o mundo é feito e o que é correto que aconteça.

Para explicar melhor, posto o verbete abaixo, extraido do livro “Tudo o que você precisa saber sobre Psicologia”, de Paul Kleinman.

Albert Ellis (1913 – 2007)
Fundador de um novo tipo de psicoterapia
Albert Ellis nasceu em 27 de setembro de 1913, em Pittsburgh, na Pensilvânia. Ellis descreveu a relação com seus pais como distante, pois sua mãe sofria de transtorno bipolar. Em consequência, Ellis criou e cuidou de seu irmã e de sua irmã mais novos.
Em 1934, formou-se na Universidade da Cidade de Nova Yoirk e começou a escrever sobre sexualidade, quando se interessou pela primeira vez por psicologia. Em seguida, Ellis estudou na Universidade Columbia, onde obteria o seu mestrado em psicologia clínica (1943) e seu doutorado (1947). Inicialmente, Ellis foi forte defensor da psicanálise de Sigmund Freud. No entanto, os trabalhos de Karen Horney, Alfred Adler e Erich Fromm tiveram grande influência sobre ele, e logo começou a questionar. No final, acabou rompendo os laços com a obra de Freud.
Em vez de seguir os conceitos freudianos, Ellis criou a sua própria forma de psicoterapia, a qual deu o nome de Terapia Racional – mais tarde ela viria a ser chamada de Terapia Racional Emotiva e Comportamental (TREC). Essa terapia é geralmente considerada como o início da terapia cognitivo-comportamental. Em 1959, Ellis fundou o Instituto para uma Vida Racional.
Ellis foi extremamente ativo durante a revolução sexual da década de 1960, e era um ateu declarado. Foi só depois de trabalhar em TREC com inúmeros praticantes religiosos que pode finalmente constatar os benefícios psicológicos que uma crença em um ser superior poderia trazer para as pessoas. Apesar de nunca deixar de ser ateu, Ellis diminuiu sua defesa dessa opção e concluiu que ter a escolha permitiria um resultado psicológico melhor.
Embora grande parte do trabalho inicial de Ellis tivesse sido recebida com críticas, na última metade de sua vida obterve muitos elogios à medida que as terapia cognitivo-emocionais foram sendo cada vez mais reconhecidas como métodos eficazes de tratamento. Hoje Albert Ellis é considerado um dos nomes mais importantes no campo da psicologia. Morreu em 24 de julho de 2007.

O Modelo ABC
No conceito de Ellis da TREC, acreditava que todos os dias ocorriam eventos que levavam uma pessoa a observar e interpretar o que está acontecendo com ela. Essas interpretações se transformavam em crenças pessoais que o indivíduo formava a respeito do evento. Essas crenças também incluiam o próprio papel. Depois que uma crença se desenvolvia, a pessoa experimentava uma consequência emocional em função dessa crença.

Eventos Ativadores e Consequências Emocionais
A (evento ativador) —> B (crença) —> C (consequência emocional)

Exemplo:
A – o segurança do mercado o acusa falsamente de roubo;
B – você reage: “Como ele se atreve? Como me faz passar por este constrangimento sem provas”? (argumentos que embasam as crenças)
C – você fica com raiva (emoção) e ameaça processar o supermercado, exigindo um pedido de desculpas (comportamento).

O ABC de Ellis tenta mostrar que o evento B é o verdadeiro motivo para que o evento C ocorra e que A não é a causa direta de C. Você não fica com raiva porquê é acusado de roubo; você fica com raiva porque decidiu, em sua crença, que este constrangimento é inadmissível e insuportável para sua própria imagem pessoal e que o mundo jamais deveria permitir ocorrer tal experiência com você.

Ellis afirma também que existem três crenças pertubadoras e irracionais que todos compartilhamos, não importando quão diferentes possam ser cada um. Dentro de cada crença há uma demanda, que pode ser sobre você mesmo, sobre outras pessoas ou sobre o mundo:

As três obrigações básicas (crenças irracionais de exigência)
1 – Uma pessoa deve se conduzir bem e ganhar a aprovação de outras pessoas por suas ações, ou então esse indivíduo não é bom;
2 – Os outros devem tratá-lo gentilmente, de forma justa e ponderada, e da maneira exata que você gostaria de ser tratado. Caso isso não aconteça, então as outras pessoas não são boas e merecem punição ou condenação;
3 – Uma pessoa deve consequir o que quer, quando quer, e não deve obter algo que não queira. Caso uma pessoa não consiga o que quer, então isso é terrível e ela não consegue suportar a vida que leva.

Enquanto as crenças flexíveis e não exigentes podem resultar em um comportamento e emoções saudáveis, as crenças exigentes induzem o aparecimento de problemas de comportamento e neuroses. A primeira crença exigente geralmente leva a sentimentos de ansiedade, depressão, culpa e vergonha. A segunda crença geralmente leva a sentimentos de agressão passiva, raiva e violência. E a terceira geralmente leva à procrastinação e a sentimentos de pena para consigo mesmo.

O papel do questionamento
A principal ideia por trás da TREC é ajudar as transformar as crenças irracionais em crenças racionais. O terapeuta questiona as crenças irracionais de seu paciente. Por exemplo: “Por que os outros devem tratá-lo gentilmente? Quem os obriga a fazer isso?”. A medida que o paciente tenta responder a essa pergunta, lentamente chega a conclusão de que não há motivo racional para que isso obrigatoriamente ocorra.

Ellis acreditava que todo mundo tem a tendência de pensar irracionalmente, mas a frequência, a duração e a intensidade podem ser reduzidas com o uso de três insights:
– As pessoas não ficam aborrecidas pelo que acontece à elas, mas ficam aborrecidas como resultado de ter crenças inflexíveis de como o mundo as deveria tratar ou o que deveria acontecer;
– Não importa qual seja o motivo para ficar aborrecido; as pessoas continuam a se sentir assim por longo tempo após terem resolvido a situação inicial porque não abandonaram suas crenças de exigência irracional inflexível;
– A única forma de melhorar a reação emocional e conseguir uma percepção mais tranquila da vida é aceitando a realidade tal como ela é, ese esforçando para mudar as crenças irracionais, questionando-as quando ocorrem espontâneamente e desenvolvendo uma visão mais tolerante quanto às vicissitudes da vida.

Aceitação da Realidade
Para ser emocionalmente saudável, a pessoa precisa aceitar a realidade, mesmo quando essa realidade é desagradável. Na TREC, o terapeuta busca ajudar o indivíduo a alcançar três tipos diferentes de aceitação:

1 – Aceitação incondicional de si mesmo: um indivíduo tem de aceitar que é falível, que não há motivo para não ter falhas e que ele não vale nem mais e nem menos do que qualquer outra pessoa.
2 – Aceitação incondicional do outro – um indivíduo tem de aceitar que, às vezes, será tratado injustamente por outras pessoas, que não há nenhum motivo para que as outras pessoas sejam obrigadas a tratá-lo com justiça e que aqueles que o tratam de forma injusta não valem nem mais e nem menos do que qualquer outra pessoa.
3 – Aceitação incondicional da vida – um indivíduo tem de aceitar que a vida nem sempre funciona da maneira que esperava, que não há nenhum motivo para a vida seguir da maneira que esperava e que a vida, embora às vezes possa ser desagradável, praticamente nunca é completamente terrível e insuportável.

A Terapia Racional Emotiva e Comportamental de Albert Ellis atualmente é uma das formas mais populares de terapia, e abriu caminho para todos os tipos de terapia cognitivo-comportamental.

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