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Reflexões: impostos iguais – até para religiões

Como os textos no Facebook ficam difíceis de serem reencontrados pelos leitores, estou desistindo de escrever coisas duráveis lá e passando a postar minhas reflexões no blog e deixando apenas o link no Face e Twitter.

Muita gente na minha timeline do Facebook discute religião – contra ou a favor.

Eu sou a favor da religiosidade, no sentido de uma conexão filosófica e intuitiva com um princípio fundamental da vida, mas tenho muitas restrições quanto à influência política, social e econômica que a maioria das religiões formais têm no mundo.

Antigamente, em tempos onde a maioria era iletrada, as religiões ajudavam a disseminar conceitos sanitários, nutricionais e de respeito aos outros. No entanto, hoje em dia, esta função está cada vez mais pervertida por interesses sectários, econômicos e políticos.

No fundo simpatizo com as religiões que não disseminam preconceitos, mas assisto com desprazer a expansão, aqui no Brasil, de seitas extremistas e não-inclusivas, manipuladoras, preconceituosas e aproveitadoras da ingenuidade popular.

Os benefícios fiscais que as religiões conseguiram obter, de um apoio discreto à uma atividade sem fins lucrativos, virou um descalabro, uma maneira de corporações comerciais se esconderem, travestindo seus produtos sob o manto da fé.

Penso também, hoje em dia, que muita religião é um desperdício de tempo. O tempo que os religiosos investem em praticar, difundir e cooptar (ops, eles dizem “evangelizar”) para suas próprias formas especificas de religião poderia, ao que me parece, ser mais bem empregado em disseminar noções de ciência (como entender o mundo), política (como gerenciar o mundo) e psicologia (como entender e se comunicar com o outro). Como disse antes, isso já foi um objetivo da religião mas hoje é principalmente função da Educação.

Digo isso ao acompanhar discussões sobre se é necessário apoiar e facilitar o acesso dos individuos às religiões, visto que muitas delas estimulam o trabalho voluntário, o apoio aos menos favorecidos e a colaboração social.

No passado foi essencial. No entanto considero que no mundo moderno a Educação é que principalmente apoia os que não tem bens, pois lhes permitem desenvolver um valor precioso e que não pode ser roubado. E o tempo que dedicam a estudar rituais de milênios passados seria mais bem empregado atualizando-se com a tecnologia.

Mas não estou aqui advogando o fim das religiões – só do desnecessário tratamento diferenciado que têm perante outros tipos de organizações sociais.

Penso eu que uma das bandeiras a serem desfraldadas nesta nova conscientização do povo para desentravar o Brasil das peias da corrupção e manipulação por interesses excusos seria a isonomia do tratamento a todo tipo de organização – seja grande ou pequena, tenha o objetivo que for, seja de venda comercial, filosófica ou religiosa, tenha fins beneficentes ou interesse comercial.

Assim, religiões e grupos os mais diversos deveriam pagar impostos e ter o mesmo tipo de responsabilização civil, econômica e criminal. E seus dirigentes deveriam ter responsabilidade total por prejuízos oriundos de suas empresas, não limitados apenas ao patrimônio que investiram nelas.

Evidentemente, se todos pagam igual, sem excessivas regras protecionistas, a pressão por impostos decentes, não escorchantes, favoreceria a todos e é provavel que muitas organizações enfraqueçam, morram ou se fundam – e nisso incluo sindicatos, partidos politicos, pseudo-seitas e ongs que são, na verdade, instrumentos de lobby de classes especificas, buscando brechas e vantagens legais acima dos outros cidadãos.

Este darwinismo econômico deveria ser praticado em todos os níveis, não só no livre mercado. Isso, junto com a fiscalização contra corrupção, é a principal bandeira, no meu entender, que pode resgatar o Brasil que queremos daquele que estávamos nos tornando.

Antonio Azevedo

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