Rapport consigo mesmo

RAPPORTVolta e meia nos perguntamos como facilitar os processos de transformação interna. No início parece fácil tomar decisões de vida e executá-las. Contudo, volta e meia, percebemos resistências internas que costumamos chamar de “autossabotagens”.

Apesar deste nome estar muito em voga, pessoalmente discordo de seu uso. Como as palavras e definições que usamos são as ferramentas mentais que nos capacitam ou nos limitam, elas possuem enorme poder sobre o quanto somos capazes de superar obstáculos. Porisso, prefiro intitulá-las de “quebras de confiança” internas – em nós próprios.

A maior parte das pessoas se queixa de que é muito difícil manter as mudanças, seja em inserir novos hábitos, melhoria de comportamentos, mudança de crenças e superação de preconceitos e limitações. E por que acontece isso? Porque não nos escutamos e não respeitamos o que diz o nosso interior. Porque não desenvolvemos o suficiente a capacidade de sintonizar com os aspectos internos, para nos sensibilizar para o que diz o coração. Em suma, não conseguimos suficiente Rapport conosco mesmos.

Rapport é uma palavra francesa que significa harmonia, confiança, segurança e compreensão. A conotação desta palavra leva a crer que rapport se aplica apenas à comunicação que fazemos com os outros. Ledo engano. Rapport também pode ser entendido como um tipo de comunicação que fazemos internamente, com as partes mais íntimas de nossa personalidade.

Ter rapport com os outros significa ter relacionamentos de qualidade. Ter rapport consigo mesmo significa ter um diálogo interno produtivo e não ignorar os reclames da própria alma.

O rapport funciona como uma conexão – se há um vínculo com outra pessoa, pelo compartilhamento de conteúdo e sintonia da forma da comunicação verbal e não-verbal, ela se estende para a sua presença como pessoa. Em outras palavras, o “índice de confiança e atenção” da outra pessoa em você ganha pontos… Mas esta ancoragem precisa ser cuidada, com respeito e ética.

Da mesma maneira, podemos nos conectar com o rapport interior, conosco mesmo, aumentando o “índice de confiança” que o subconsciente tem com o consciente. E é necessário respeitar este nível de rapport. Eventuais quebras de confiança entre o nosso consciente e o inconsciente nos prejudicam a longo prazo.

Quando conseguimos este rapport, este alinhamento, as modificações que desejamos se tornam fáceis e naturais como respirar. Como analogia, em uma cadeira precisamos ter quatro pernas para ter uma boa estabilidade. Também em um processo de mudança interna, o ideal é que haja quatro apoios para sustentar a mudança. E todos eles são uma forma de aceitação e compreensão, ou seja, de rapport. Estes são:

• rapport com o aspecto físico;
• rapport entre as diversas partes da mente;
• rapport entre o corpo e a mente;
• rapport da mente com a parte espiritual de nosso ser.

Aceitar, compreender e, com o tempo, aprender a trabalhar junto com estes quatro aspectos nos torna pessoas melhores, mais felizes e tolerantes conosco, e, assim, capazes de melhorar sem muito conflito interno.

As seguintes recomendações podem ajudar no desenvolvimento do rapport para a execução de seus objetivos:

PERCEBAIMAGINEMUDE

PERCEBER é ampliar a acuidade perceptiva (sensorial). A auto-observação é a chave para o autoaprendizado e para a autoconsciência. E as representações internas, em nossa mente, são a chave para o controle dos estados mentais, físicos e emocionais. A auto-observação não significa distanciamento das emoções. Significa observar o seu início dentro de nós, sua origem, sua expansão e diminuição, entendendo que são partes de nós, mas não tudo o que somos.

IMAGINAR é definir objetivos – apenas ter esperança no futuro não é suficiente. Imaginar um futuro melhor é o princípio da magia interna (”i” de interno + “maginar, magicar”) que pode produzir novos e excelentes resultados. Imaginar é o primeiro passo, desde que seguido de ação positiva no mundo material, para consolidar os efeitos da magia interna (imaginação). Seja um objetivo físico, profissional, social, emocional ou espiritual, experimente conversar com você mesmo com uma linguagem que afirme o que deseja alcançar, e não o que deseja suprimir. É muito mais natural proceder assim.

MUDAR é aumentar a flexibilidade nos pensamentos, sentimentos e ações. Flexibilidade é entender que o objetivo final não é o meio. Podemos encontrar várias formas de agir. Você cria o seu futuro com o que faz agora. Quem tem apenas uma forma de comportamento perante uma determinada situação da vida está em “modo robô”, em automatismo. Praticar a flexibilidade é buscar sempre uma visão nova e inesperada, pensar, sentir e agir de formas diferentes mesmo perante os mesmos estímulos. Isso é estar plenamente vivo.

Como prática de autocoaching, pense sobre o que deseja ser – seus objetivos – e siga o modelo seguinte para a sua concretização:

1. Defina e expresse seu objetivo em uma linguagem positiva e específica.
2. Imagine, de variadas formas, o que escolhe Aprender, Fazer, Pensar e Sentir para estar completamente alinhado com a concretização deste objetivo.
3. Perceba, internamente, se todo o seu corpo, mente e espírito estão alinhados com estas mudanças para alcançar o seu objetivo.
4. Quando o perceber, principie a executar pequenas mudanças. Elas se encadearão em outras mudanças. Quando estiver completamente alinhado, as mudanças começam a se tornar fáceis e naturais, pois está em rapport com a mudança desejada.

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Arquivado em Aprendizagem, Coaching, Criatividade, Tomada de Decisão

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