Metodologia SIMPLES de Busca de Soluções

No texto anterior apresentei um procedimento de coaching (OSKAR) e foi mencionado no texto que ele obedecia aos procedimentos de foco na solução (SF – Solution focus).

Esta conceituação SF se disseminou na psicologia cognitiva-comportamental e também na área de negócios e de desenvolvimento de projetos, a partir das idéias dos terapeutas cognitivo-comportamentais Steve de Shazer e Kim Berg. São procedimentos cuja ênfase é não se valerem excessivamente de argumentações profundas, técnicas elaboradas, softwares herméticos ou planilhas sofisticadas.

Em vários contextos organizacionais, nas áreas de liderança, consultoria, treinamento e coaching, tais tipos de modelos estão sendo bem utilizados. O importante é que seja apresentado um modelo ao grupo de trabalho que facilite que trabalhem juntos, com o mínimo de conflitos, sem que necessitem de um grande treinamento comportamental para normalizar as diferentes formas de agir.

A maioria dos profissionais já investe um bom tempo em suas carreiras mantendo-se a par das especificações técnicas de suas áreas. Assim, sobra pouco tempo para disseminar conceitos profundos de trabalhos em equipe, brainstorming e técnicas de solução de problemas. Deste modo, as conceituações SF são feitas para facilitar a disseminação, utilizando acrônimos (jogos de palavras) bem-humorados para disseminar conceitos práticos.

A metodologia é baseada no fato de que é muito fácil alterar sistemas, equipamentos e estruturas, mas é bem mais difícil alterar as pessoas. Contudo, estas são os elementos mais importantes de um processo. Assim, as mudanças devem ser focadas com elas em mente, ao invés de “empurrá-las” para a mudança, como fazia a reengenharia.

O seu uso é fundamentado em alguns pontos:
– usar os recursos disponíveis;
– focalizar o futuro, e não o passado;
– descobrir o que está dando certo, e não o que está com problemas;
– ampliar e disseminar o que está dando certo;
– simplificar as mudanças, quando possível;
– fazer mudanças pequenas, incrementais, para dar tempo à curva de aprendizagem se estabelecer;
– dar permissão para a inovação e não julgar àqueles que se comportam diferente;
– destacar o nível e responsabilidade de risco autorizado, mas sempre permitir a mais do que seria o confortável (sair da zona de conforto);
– acompanhar e registrar as mudanças;
– rapidamente corrigir as mudanças que se revelem infrutíferas, sem questionar o implementador, mas apenas checar resultados;
– celebrar os pequenos sucessos, ao invés de só esperar resultados espetaculares.

Por ser mais baseado em recursos do que no problema em si mesmo, o uso de habilidades, recursos, histórias de sucesso e idéias já existentes no contexto, mesmo que não as ideais, podem mover mais facilmente o sistema-empresa como um todo. Com o tempo, idéias mais inovadoras podem ser implementadas.

Com raras exceções – uma crise de grandes proporções – pequenas mudanças somadas e implementadas de forma consistente produzem grandes resultados, reduzindo sangrias financeiras, de imagem ou de qualidade. Isso é diferente de “rearrumar as cadeiras de convés do Titanic” que é a forma como muitos profissionais especialistas em mudança se referem ao foco em mudanças pequenas, quando há a necessidade de mudanças radicais. Ao contrário, as técnicas SF buscam identificar a solução, não o problema. Assim, na maior parte dos casos, evitam o estresse intenso causado por atitudes drásticas tomadas sem considerar o sistema como um todo.

Um dos acrônimos que podem ser usados para disseminar uma metodologia SF de solução de problemas em uma organização é o chamado SIMPLES.

Veja-o abaixo:

S – Solução – busque descrever a solução desejada, antes de investir tempo em descrever o problema. Isto ajudará que, quando for investigar o problema, o que é óbvio que fará mais tarde, tenha uma idéia clara de onde quer chegar, ao invés de ficar cego por overdose de informações.

I – Interação – não focalize em “culpados” ou em “causas”, mas em sistemas que precisam ser modificados e aprimorados. Na maior parte das causas os problemas são causados devido a um balanceamento inadequado de fluxo de recursos – tempo, dinheiro, homens-hora, informação ou tecnologia aplicada, prazos inadequados ou previsão de riscos insuficiente. Todas são questões referente a processos. Pouquíssimas vezes o problema se deve à incompetência, má-fé ou improbidade. E, mesmos nestes casos, a melhor solução é de processo: mais treinamento, mais verificação ou mais auditoria.

M – Medianas – busque soluções não extremamente perfeitas, e sim as melhores possíveis para o momento com os recursos e oportunidades que tem disponíveis. Sempre haverá espaço para melhorias. As empresas que estabelecem metas inalcançáveis costumam desgastar demais a equipe ou seus recursos.

P – Possibilidades – Sabendo onde quer chegar, faça uma análise dos caminhos possíveis e viáveis para chegar lá. Desta maneira, indo “do futuro para o presente”, terá uma melhor compreensão do que pode aproveitar efetivamente na direção do objetivo.

L – Linguagem – use canais rápidos e práticos de comunicar problemas, perspectivas de soluções e resultados progressivos – para toda a equipe. Assegure-se de que todos estão a par dos objetivos perseguidos, repita várias vezes a informação por canais diferentes e use o máximo de transparência possível. Agendas ocultas ou surpresas criam chance para panelinhas e boatos se desenvolverem.

E – Eventualidades – deixe uma margem de segurança para situações inesperadas e não espere que tudo transcorra de forma exatamente igual. Se houver um problema na implantação da solução escolhida, considere como um fato normal. Para evitar surpresas, faça “conferências de rota” em pontos pré-determinados, avisados com antecedência – isto permite que equipes bem entrosadas se ajustem. Deixe “verificações surpresas” apenas para auditorias externas, pois estas não tem o compromisso com a manutenção dos processos de comunicação internos.

S – Sistematize – após a descrição da solução implantada, crie um sistema e a divulgue, com procedimentos práticos (porém SIMPLES) de treinamento. Com o tempo não terá que resolver questão a questão, e sim desenvolverá um corpo de procedimentos que cuidarão dos principais tipos de problemas possíveis. Mas atenção: sempre haverá espaço para melhoria.

Imagem

Deixe um comentário

Arquivado em Coaching, Gestão

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s