Decisões Intuitivas

O que mais observamos ao nosso redor são pessoas que tomam decisões cruciais na vida baseadas em um mínimo de informações. Algumas vezes o resultado é um sucesso; outras vezes não. O que faz a diferença entre essas pessoas? Como elas puderam escolher, entre dados desconexos, os indícios seguros da melhor iniciativa?

Agir da melhor maneira possível significa, normalmente, optar baseando-se na maior quantidade e qualidade das informações disponíveis, processadas de forma sistemática. Isto deve ser feito não só pelo intelecto e sim pela mente como um todo, razão e emoção, e levado a cabo através de um plano de ação coerente e organizado, com bastante autodisciplina. É importante nos conscientizarmos de o que não escolhermos também não nos escolherá. E também que nenhuma ação posta em prática pode ser desfeita sem algum custo. Tudo na vida tem um preço, seja em tempo, dinheiro, esforço, atenção ou conhecimento, que são os principais recursos da vida de onde todas as coisas são feitas.

A frequência com que tomamos decisões erradas faz com que muitas vezes ansiemos por dispor de uma “bola de cristal” que nos permita ver o futuro. Pressupomos que o futuro já exista, isto é, acreditamos em um determinismo das circunstâncias e ou nos resignamos a ele ou o maldizemos, vivendo em uma permanente insatisfação e até desespero.

O determinismo é uma corrente filosófica que diz que não importa o que seja feito, tudo o que deve acontecer, acontecerá (”Maktub!”, exclamam os maometanos). Esta postura, muito difundida na sabedoria popular (”não adianta lutar contra o destino”), costuma redundar em uma visão fatalista, passiva, impedindo o total engajamento na mudança das condições de vida.

Na realidade o futuro não é pré-determinado (determinado previamente). O futuro pode ser sim “de-terminado” (de agora para o término), no sentido de que é uma extensão do presente, uma continuação lógica deste. E para escolher o nosso futuro, precisamos aprender a agir da melhor maneira possível neste presente.

Muitos se consideram emotivos, passionais, instintivos. E tomam decisões principalmente baseadas em seus impulsos momentâneos. Tais pessoas renegam a lógica fria, alegando que o mundo é por demais complexo para se avaliar todas as questões. São intitulados de “aqueles que pensam apenas com o lado direito do cérebro”, com nossa parte emocional.

Outros se consideram principalmente lógicos, analíticos e racionais. E tomam decisões principalmente baseadas em deduções, com base nos fatos disponíveis. Tais pessoas costumam ridicularizar o comportamento impulsivo das anteriores, considerando que reagem apenas de forma “animal”, sem usar o pensamento dedutivo, que é apanágio exclusivo do ser humano. São muitas vezes chamadas de “pensadores do lado esquerdo do cérebro”, como é chamada a nossa parte racional.

A maioria se situa em um meio termo entre esses dois extremos. Porém, essa mesma maioria não possui uma posição definida de como deve ser a melhor forma de pensar e resolver problemas. E por isso procede muitas vezes de forma impulsiva e outras de forma racional – sem avaliar adequadamente em quais momentos é melhor optar por uma decisão emocional e em quais é melhor optar por uma decisão racional. A motivação para agir de uma forma ou de outra é claramente externa, proveniente das circunstâncias, não um procedimento auto-orientado. São indivíduos eminentemente reativos, não proativos perante um problema.

Não é suficiente utilizar-se apenas formas lógicas de pensar e tomar decisões, acreditando que todo tipo de questões de vida podem ser resolvidas desta forma. Como também não é suficiente nos apoiarmos apenas em formas emocionais e impulsivas de agir. O importante é conciliar estas duas vertentes.

Os atuais conceitos sobre Inteligência Emocional mostram efetivamente a importância de obtermos o equilíbrio entre estas duas formas de pensamento. A conciliação não passa apenas por uma verificação sobre o que a nossa lógica e nossa emoção estão nos dizendo. Muitas vezes estes dois aspectos estão em conflito. Podemos, por exemplo, dispor de várias alternativas de ação, todas elas com seus prós e contras, e nosso intelecto não dispõe de fatos suficientes para escolher. E podemos também, estar com sensações de ansiedade não específicas sobre os vários cursos de ação, com nossa emoção contaminada por crenças de limitação sobre nossas capacidades e recursos – atitudes que muitas vezes são intituladas como “auto-sabotagem”.

É importante que possamos integrar estas duas ferramentas – o pensamento lógico e o pensamento emocional – debaixo da égide de uma terceira forma de pensar mais elevada – e esta pode ser chamada de pensamento intuitivo.

Razão e Emoção na base, Intuição em cima

Para muitas pessoas o pensamento intuitivo se confunde com pensamento emocional; só que não há nada mais distante da verdade. O pensamento intuitivo está situado em um nível acima dos pensamentos anteriores. Ele é a chave da criatividade, da expressão artística e da realização real do homem.

O pensamento intuitivo é uma característica bem mais humana do que o pensamento lógico. Podemos até dizer que todos os homens podem praticar o pensamento lógico, mas nem todos estão preparados para o pensamento intuitivo, que requer uma integração de todas as facetas da mente humana. O pensamento intuitivo leva em consideração tanto os ditames da natureza emocional bem como as ilações dedutivas do pensamento lógico. E não só combina tais elementos como acrescenta uma nova visão baseada na estrutura dos valores essenciais do indivíduo. Esta perspectiva não apenas adiciona e sim multiplica fatores, acrescentando uma perspectiva mais alta, permitindo uma visão tridimensional das questões a serem tratadas.

O Eu, pensado como individualidade, se considera apartado e sente e pensa em termos de “Eu versus Não-Eu”. Por causa das frustrações pelas quais passou, deseja obter o máximo e doar o mínimo ao Universo. Para ele é importante o conceito de “benignidade” e “altruísmo”, pois isto significa um esforço especial, justificável apenas em nome de uma melhor convivência com os Outros.

Contudo, quando usamos efetivamente o pensamento intuitivo, tais conceitos deixam de ser importantes. Torna-se natural agir de forma harmônica com todas as pessoas envolvidas. Isso não é ser bom e nem ser altruísta, é apenas estar de acordo com a verdadeira lógica de ser e de viver. E isto requer bastante autoconhecimento e auto-análise, com momentos de introspecção frequentes, de forma a possibilitar a eclosão em nós desta mais ampla forma de pensamento, o pensamento intuitivo.

É como se o homem observasse agora as suas questões sob um distanciamento maior, não mais centrado em si mesmo, como se fosse o ponto central da Criação. Ele se sente como parte de uma Força de Vida mais ampla. Suas preocupações baseadas na ansiedade e medo de risco pessoal desaparecem. A compreensão do futuro e das relações de causa e efeito é mais abrangente; de linear é agora sistêmica. E, tal qual como em um enorme tabuleiro de xadrez, se permite analisar as várias estratégias e cursos de ação com isenção e paz de espírito.

E também, não mais sendo limitado por medos pessoais e crenças de incapacidade, pode recorrer a forças e recursos insuspeitados, tanto diretos, em seu próprio inconsciente, quanto indiretos, através de tudo que o Universo pode fazer em seu favor.

O pensamento intuitivo permite um exercício criativo que o pensamento lógico e o emocional não podem abarcar. Ele nos proporciona uma fusão com o Universo, do qual anteriormente tínhamos nos separado, ao assumir a consciência do Eu.

É importante reconhecer que somente com OBJETIVOS e METAS definidos é que poderemos ter êxito em equilibrar adequadamente as escolhas entre razão, emoção e intuição. Vale a pena compreendermos bem esta diferença:

Objetivos são uma descrição contextual, do ambiente, isto é, onde queremos chegar e como nos sentiremos ao chegar lá. Eles são discursivos, isto é, não são mensuráveis e se traduzem principalmente em termos de situações. Para clarear os objetivos, fazemos normalmente as seguintes perguntas:

Para onde vou?
Quais são as principais tendências em minha vida?
Quais são meus interesses e vocações principais?
Pelo o quê me sinto estimulado?
Se eu fosse milionário, o que eu faria com o meu tempo livre?

Metas são marcos específicos que sinalizam o caminho até o objetivo alcançado. Um objetivo pode se compor de várias metas. Elas ajudam a definir o que está sendo feito, e nos permitem aferir se estamos nos encaminhando para o objetivo desejado ou nos distanciando dele.

Normalmente fazemos as seguintes perguntas para especificar metas:

Como eu posso agir para alcançar o meu objetivo?
Como eu estou indo?
Que planos de ação eu tenho?
Que tipo de avaliação posso fazer?
Como posso registrar o meu sucesso dia a dia?

Cronogramas, orçamentos, relatórios, ações de correção e ajuste são utilizados aqui. Neste momento o que era Sonho e que tinha se transformado em Visão passa a ser um Plano de Ação realístico.

E podem ser feitos exercícios para estimular a integração da razão e da emoção com a intuição, facilitando uma melhor tomada de decisão:

Síntese Criativa (*)
1. Imagine o oposto da situação
2. Examine o ambiente
3. Imagine-se encontrando a resposta perfeita
4. Imagine que todas as suposições que fez estejam erradas
5. E se soubesse que não poderia falhar?
6. Use outras pessoas como modelos
7. Pense do futuro para o passado
8. Olhe o problema de outro planeta
9. Modifique, reposicione o problema
10.Olhe com os olhos de uma criança
(*) adaptado das técnicas de Criatividade e da PNL

Tomar decisões é fazer escolhas. E escolhas não podem ser tomadas apenas com base na razão ou apenas com base na emoção. No interior de cada ser humano pende a cada momento esta balança de três pratos: razão, emoção e intuição. O indivíduo sopesa cada decisão por cada um destes pontos de vista, mesmo que não o faça conscientemente. Quando evitamos ficar presos ao dilema – apenas ouvir à nossa razão ou apenas ouvir à nossa emoção, podemos, de maneira mais segura, tomara as rédeas de nosso destino.

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Arquivado em Coaching, Criatividade

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